domingo, 6 de julho de 2008

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Caso de Polícia

  • domingo, 6 de julho de 2008
  • Saga de Animes
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  • 1.Quem publica o blog é de "Qual Policia?"
    R: Sou Inspetor de Polícia, nos quadros da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.


    Visite Caso de Polícia


    2.Poderia dar a descrição do blog Caso de Polícia?
    R: São vários os propósitos do blog. Inicialmente, servia como uma ferramenta de divulgação, à quem se interessasse, das dificuldades da Polícia Civil e da Militar em realizar seu trabalho. Falamos das injustiças que governantes cometem contra os policiais, sem reajustes em períodos que chegam a 10 anos, da falta de material adequado, dos "equívocos" nos investimentos em segurança pública.
    Com o tempo novos assuntos foram se integrando. Análises de fatos trazidos pela imprensa, divulgação de vídeos policiais feitos por nós mesmos, até crônicas policiais (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência?). Agora o objetivo é que o CdP se torne um canal de comunicação entre policiais do Brasil todo, e com cidadãos que se preocupem com o tema, que afeta a todos indistintamente.


    3.Existem coisas que, ainda hoje, não podem ser ditas, ou melhor escritas? Quais seriam os motivos?
    R: Com certeza. Por mais que se tenha informações inéditas e "bombásticas", não é inteligente sair publicando, pois se não se pode provar, podemos ser acusados de crimes como calúnia ou denunciação caluniosa. Por outro lado, manifestar pensamentos críticos a respeito da administração pública, mesmo sendo um direito previsto na Constituição, é sempre complicado para o servidor, que é alvo de punições administrativas que nem sempre seguem a legalidade. Por isso, algumas coisas que gostaria de ter publicado, ficaram guardadas, e muitas outras ficarão...


    4.Qual a freqüência que você escreve? Qual a importância hoje para você em manter o blog?
    R: Considero hoje bastante importante manter o blog em atividade, principalmente pelo aspecto de "ferramenta motora" para mudanças e melhorias que ele pode se tornar. Mas minha atividade profissional é a Polícia, e em meu tempo de folga procuro estudar para sair dessa loucura. Procuro pelo ao menos 2 vezes por semana enviar novos textos, mas nem sempre é possível, e às vezes é melhor não postar nada do que lançar coisas sem conteúdo nenhum, a não ser que seja algum vídeo ou história com uma boa dose de bom humor.


    5.Responder a todos os comentários; só aos que interessam ou a nenhum? E por que?
    R: Respondo tudo, principalmente quando inicia-se um debate acerca do tema abordado. Afinal, escrevo um texto, normalmente crítico, para provocar um debate, para que todos pensemos sobre aquele tema. É assim que se propagam as boas ideias, e é assim que talvez mudemos alguma coisa, porque uma pessoa que tenha um pensamento equivocado por não conhecer os detalhes de um tema pode mudar de opinião.
    E esta pessoa, por exemplo, pode se tornar daqui a 5 ou 10 anos um cidadão com poder de mudanças nas mãos, como um Juiz, um deputado, etc. Da mesma forma, venho aprendendo muito com informações e impressões trazidas pelos leitores.


    6.Como é receber (se é que recebe) críticas?
    R: Recebo muitas críticas. Muitas de policiais, porque neste meio existe uma verdadeira fogueira das vaidades, uma velha disputa corporativista e doentia entre Polícia Civil e Militar. Mas a maioria percebe que eu não puxo a sardinha para nenhum dos lados, até porque os dois estão péssimos. O que acontece mais é de cidadãos (não policiais) levantarem questões, normalmente de fatos criminosos praticados por um servidor, e colocar aquilo como se todo policial agisse da mesma forma. É generalização burra, e um pensamento de quem não está interessado em mudanças. Estas, sim, me deixam um pouco chateado às vezes, mas faz parte, nossa profissão tem esses problemas.


    7.Você acompanha as estatísticas de visitas ao blog? Fale um pouco sobre, e como faz.
    R: Uso apenas o Google Analytics, mas é uma coisa que fica em segundo plano. Acho que neste nicho do mercado é mais difícil detectar o material que mais agrada, é coisa de momento.


    8.Repassar reportagens e notícias é bom, mas o melhor [na minha opinião] dos blogs policiais é ver o que eles tem a dizer. Em qual dos dois tipos de posts observa mais retorno (visitas e comentários) dos leitores? Espero ter me feito entender.
    R: Quando analisamos notícias, a tendência é que surjam debates sobre o tema. Assim, cresce o número de comentários. Na verdade acho que não depende muito disso, já que textos às vezes mais bem elaborados, com material de pesquisa, fotos, etc não rendem muitos comentários em alguns casos, e em outros sim.
    Quanto à visitação, com certeza os posts com multimídia, como vídeos ou fotos, ou ainda o que falam de filmes policiais, costuma trazer mais visitantes. Mas estes últimos são pessoas que só estão interessados naquilo mesmo, e não em entender o porque dos problemas nas policiais, e a maioria não volta, são os “paraquedistas”.


    9.De onde surgiu a idéia de criar um blog?
    R: Já tinha iniciado outros, anos atrás, mas abandonei. Quando o Diário de um PM, do Alexandre de Souza, apareceu e eu comecei a ler, me empolguei de participar daquilo, de estabelecer um diálogo, principalmente porque ele é militar e eu policial civil. Achei que havia espaço e seria adequado expor pontos de vista diferentes dos mesmos fatos. E deu certo, temos um bom entrosamento e procuramos sempre incentivar mais policiais a criarem blogs.


    10.Por que Blogosfera Policial? Seriam os leitores diferentes ou predominantemente de policiais?
    R: Blogosfera Policial é porque reúne blogs que tratam do tema Segurança Pública de alguma forma, e não necessariamente são feitos por policiais, já que alguns editores são sociólogos, jornalistas ou admiradores da profissão.
    Os leitores freqüentes, sem dúvida, são em sua maioria policiais. Mas muitos são pessoas que gostariam de ser e estão estudando, e também muitos ex-policiais, que abandonaram a Polícia por causa dos baixos salários mas nunca perderam o amor à profissão. A Polícia tem essa coisa de engraçada, você pode deixar de ser policial e ir trabalhar vendendo picolé no sinal, mas 10, 20 anos depois, ainda está com a cabeça por lá. Uma coisa é certa, a lição de vida que é a função policial nunca é esquecida, você vê o mundo com outros olhos, apesar das conseqüências para a saúde física, psicológica e financeira.


    11.E o surgimento dessa Blogosfera Policial, pelo que observei surgiu no final de 2007 inicio de 2008, qual sua explicação? Me corrija se eu estiver enganada.
    R: Não sei ao certo, talvez tenha sido a popularização dos blogs como ferramenta de "jornalismo individual". Passada aquela fase preconceituosa de que blogs são diários pessoais, as pessoas começam a enxergar seriedade neste tipo de trabalho. Mas os blogs policiais são um pouco mais antigos que isso, o Caso de Polícia começou em abril de 2007, o Diário de um PM é mais antigo ainda, e tem outros com mais idade, como o Vox Libre, do Delegado Federal Antonio Rayol, que nasceu em 2005!


    12.Qual post do seu blog você acredita ser mais importante ou que recomendaria a todos lerem?
    R: Com certeza essa é a pergunta mais difícil, pois muitos temas geraram bons debates. Mas posso dizer que tenho uma predileção pelos posts de Crônicas Policiais, e não pergunte porque!


    Você assina e autoriza a publicação dessas declarações?
    R: Sim.
    Disponha, e eu que agradeço a oportunidade!

    3 Responses to “Caso de Polícia”

    Entrevista do autor do Caso de Polícia disse...
    7 de julho de 2008 19:29

    [...] é que o Entrevista Blogs publicou uma entrevista com este que vos escreve, e ficou bem legal. Confira lá através deste link. O blog entrevista editores de… blogs! De diversos nichos, o que é muito válido para [...]


    Marco Vinicius Frreira disse...
    8 de julho de 2008 09:59

    Olá sumido, que bom que você apareceu, tal como a fênix.
    Muito boa a sua entrevista.
    Sem criticar o colega, faltou um toque de tempero para os desavisado deste nosso imenso Brasil.
    Os quais não sabem o que é um inspetor de polícia.
    Fazem confusão com os outros cargos similares e análogos, do tira, seja lá qual é o nome do cargo/função recebido no nosso país.
    Faltou falar como o inspetor faz a máquina funcionar, como faz um faz um inspetor, na sua labuta.
    Quero crer que na sua sapiência não há de faltar oportunidade de se estender neste assunto, o Brasil tem curiosidade.
    Os segredos da profissão amada e odiada, que é o de trazer a luz da verdade o fato delituoso.
    Tem gente confundindo com inspetor de aluno, caça (gazeteiro).
    Amigo você tem razão, enquanto apenas uma classe mandar na polícia e também desmandar como vejo em outras polícias, será sempre esta nhaca.
    Os mandos e desmandos da polícia, talvez isso mude quando a corporação toda puder votar no D.G.P ou no SSP um sonho, (uma utopia) ainda não possível neste século.
    Bom regresso mate a saudade de todos os seus leitores, aonde me incluo.
    Marco Vinícius Ferreira
    Investigador de Polícia #1 Classe
    Distintivo 6125 SSP/SP

    Marco Vinicius Frreira publicou um post sobre...Depois que inventaram o tá ruim, não ficou bom pra ninguem: Truman Annex


    rogerio de castro disse...
    20 de outubro de 2008 10:29

    BOA TARDE.CARO PROFISSIONAL DA ÁREA DE SEGURANÇA PÚBLICA, NOSSA PROFISSÃO ESTÁ PASSANDO POR TRANSFORMAÇÕES QUE BUSCAM UMA EVOLUÇÃO NO CAMPO DO CONHECIMENTO E DAS ATIVIDADES. ESTAMOS SAINDO DA MÁQUINA DE ESCREVER, DO ATENDIMENTO OPERACIONAL REALIZADO NO COSTUME, PARA ASCENDER PARA A REALIDADE DA TECNOLOGIA E DO APERFEIÇOAMENTO TÉCNICO. SABEMOS QUE AS MUDANÇAS SÃO PEQUENAS E TÍMIDAS, MAS NÃO PODEMOS DESCONSIDERAR QUE NOSSO PAÍS ESTÁ RECENTE E EM FORMAÇÃO EM UM SISTEMA DEMOCRÁTICO. AGORA É QUE PASSOU A OLHAR PARA O POVO COM ATENÇÃO, RESPEITO E AMOR. PRECISAMOS NOS TORNAR PROFISSIONAIS INTERNAMENTE. APESAR DE TODAS AS DIFICULDADES, SABEMOS QUE AS VERDADEIRAS MUDANÇAS ESTA NO CORAÇÃO DE CADA POLICIAL, SEJA CIVIL OU MILITAR. PRECISAMOS DE EQUIPAMENTOS, CONHECIMENTO, INVESTIMENTO E SALÁRIO.MAS PRECISAMOS NOS ENXERGAR COMO PROFISSIONAIS E AMAR NOSSO DEVER. UM ABRAÇO. ATÉ MAIS.


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